Estamos comemorando a Páscoa e essa é a data mais importante do Cristianismo.
Eu não poderia deixar essa data passar em branco. Estamos vivendo um momento muito significativo em nossa vida no Ocidente. Assim como ocorreu na Europa caminhamos a passos largos para nos tornarmos um mundo "pós-cristão", não obstante a todos os esforços e empenho que possamos fazer.
Vejo muitos livros, blogs e sites escritos por queridos irmãos americanos enfatizando a realidade do Evangelho, mas o fato é que a cultura americana se torna cada vez mais "pós-cristã", há cada vez menos referência na mídia e na sociedade americana, por exemplo, a realidade da Páscoa.
No Brasil, ainda temos uma forte influência Católica Romana, o que faz com que seja ainda dada alguma atenção na sociedade, as raízes cristãs da Páscoa, mas não devemos nos esquecer que a Europa também era profundamente Católica, e agora não existe mais nenhuma influência na cultura por parte da Igreja.
O que quero dizer com isso? O que quero dizer com isso é que aqueles que se dizem cristãos e que afirmam crer no Evangelho, naquilo que a Páscoa representa, deveriam ter uma postura diferente em relação a ela.
Nós cristãos, em busca de fugirmos da religiosidade vazia, muitas vezes perdemos os referenciais centrais da nossa fé e espiritualidade bíblica. A Páscoa se tornou para muitos de nós apenas mais um grande feriadão que aproveitamos para viajar e curtir um tempo de lazer.
Mas gostaria de lembrar você da centralidade da Páscoa para nossa vida. Na verdade todo o Universo existe por causa dela. A Criação só foi possível, porque antes de Deus dizer "haja luz", ele disse "haja uma cruz".
A morte do Cordeiro desde antes da fundação do mundo é o que viabiliza a sustentabilidade de toda a Criação, pois sem essa decisão, tudo o que fora criado seria destruído diante da desconexão do ser humano da fonte de sua criação.
Assim, nesta manhã de Páscoa, mesmo que você tenha escolhido o lazer no lugar da adoração, tire um tempo, pare e pense, pois esse dia é o dia que mudou tudo na história e é o dia que garante que vale a pena viver e viver por aquele que por nós morreu e ressuscitou.
Feliz Páscoa!
No Caminho,
sábado, 7 de abril de 2012
sexta-feira, 23 de março de 2012
Na rota missional
Olá pessoal!
Quando olho para a igreja percebo que existe uma força poderosa que nos puxa para a inércia da vida missional. Por um lado, vejo muitas pessoas que entendem que precisam se reunir e buscam as reuniões, mas essas reuniões são completamente voltadas para si mesmas, voltadas para dentro. Procuramos nos reunir em prédios que pertencem a nossas igrejas, buscamos nos reunir com outros cristãos, e em nossas reuniões buscamos mais falar sobre a nossa vida com Deus e nossas experiências com Deus com outras pessoas (cristãs) que também tem vida com Deus ou experiências com Deus (ou pelo menos deveriam ter).
Por outro lado, vejo um grupo crescente de cristãos, rejeitando esses encontros, afirmando que não precisam deles, insistindo em que a igreja não é só isso, mas não vejo essas pessoas fazendo nada de diferente, não as vejo se envolvendo com pessoas de fora, não as vejo contando suas experiências com Deus para gente que ainda não conhece a Deus, não as vejo compartilhando o evangelho. Elas simplesmente não vêem as reuniões, ou vêem de vez em quando, conforme sua vontade. Às vezes também são pessoas que rejeitam encontros da igreja, mas estão sempre participando de encontros com outros cristãos, que também estão rejeitando os encontros da igreja.
Essas duas posturas são completamente contrárias a proposta de uma rota missional para a nossa vida! Como é ser um cristão missional? Como é fazer parte de uma igreja missional? Vou tentar responder isso a partir do texto de atos 16.13: "No sábado saímos da cidade e fomos para a beira do rio, onde esperávamos encontrar um lugar de oração. Sentamo-nos e começamos a conversar com as mulheres que haviam se reunido ali."
Esse texto está narrando o que é conhecido como a segunda viagem missionária do apóstolo Paulo. Ele e sua equipe são dirigidos pelo Espírito Santo para a Macedônia e chegam a cidade de Filipos. Ali eles começam a desenvolver a sua missão e o que fazem? Como fazem? Eles tomam a rota missional.
Primeiro eles saem da cidade. Quero fazer uma analogia com isso no sentido de sairmos de nossos prédios. A rota missional é aquela que nos coloca para fora de nossa zona de conforto. Ela nos coloca para fora da nossa casa, para fora do nosso escritório, para fora dos nossos lugares seguros, para fora dos prédios de nossas igrejas.
Segundo, eles vão juntos. Sim, eles fazem isso juntos, eles são uma equipe e entendem que como discípulos de Jesus Cristo, o que estão fazendo é missão. Eles não são um grupo que vêem o apóstolo Paulo como o "pastor" que está ali para cuidar da vida deles, mas como o "pastor" que está ali para treiná-los, motivá-los e liderá-los na vida missional.
Terceiro, eles estavam a procura de um lugar especifico. Era um lugar onde haviam pessoas e era um lugar onde haviam pessoas interessadas em coisas espirituais. Quando o texto diz que foram para a beira do rio a procura de um lugar de oração, não devemos entender que eles estavam procurando um grupo de cristãos, ou no caso de Paulo um grupo de judeus piedosos. Eles estavam a procura de um lugar que integrasse pessoas que estivessem interessadas em coisas espirituais. Afirmo isso por dois motivos! Primeiro, porque os gentios tinham seus lugares de oração para os deuses espalhados por montanhas e próximos a rios, uma vez que os deuses deles estavam sempre relacionados a algum elemento da natureza. Segundo, porque quando Paulo com sua equipe encontra aquele lugar é um grupo de mulheres que se reúne ali. Se fosse um grupo de prosélitos do judaísmo ou um grupo de judeus que se reunião para orar, não haveriam apenas mulheres. O fato de que são todas mulheres implica que não era uma "reunião de oração" dedicada ao Deus de Israel.
Assim, gostaria que você pensasse, como é que fazemos isso hoje? Para onde é que podemos nos dirigir a fim de encontrarmos pessoas reunidas e pessoas que estejam interessadas em questões espirituais? Veja bem, não necessariamente no cristianismo, mas estão em busca de algo que traga significado e sentido para sua vida. Como cristãos missionais, como igreja missional, nós precisamos ir para as praças, para os parques, para os Shoppings, para cafeterias, e outros lugares onde possamos ter contato com pessoas de fora da igreja e encontrarmos gente que está interessada em coisas espirituais, pois pode ser que haja uma Lídia entre eles a quem o Senhor abrirá o coração.
Quarto, eles começaram a conversar. É interessante que o texto não diz que eles começaram a pregar ou mesmo testemunhar, mas a falar. A palavra que aparece ai no original não é nem a que é traduzida por pregação (kerusso) e nem a que é traduzida por testemunho (martyria), mas é uma palavra que é traduzida por falar, que é usada para se referir a um diálogo a uma conversa com outra pessoa. O que isso me ensina é que ser missional não implica em sermos os portadores da verdade, sem que ouçamos o que outros pensam ou tem a dizer e, então, possamos dizer o que pensamos e temos a dizer. Precisamos descobrir um caminho do diálogo, um caminho que nos dê acesso não apenas aos ouvidos das pessoas, mas aos seus corações.
Quinto, e último, eles falaram com as mulheres. Isso na cultura do primeiro século, e para um grupo de homens que na maioria eram judeus, é um grande derrubar de barreiras, é um cruzar de fronteiras. Ser missional significa que estamos dispostos a correr o risco de falar com gente que nossa cultura religiosa diria que não deveríamos falar. Quem são as pessoas para as quais precisamos nos dirigir, e que devemos abordar?
Pois bem, estar na rota missional é estar indo ao encontro das pessoas, dirigidos pelo Espírito Santo, que estão ao nosso redor, ao invés de ficarmos o tempo todo apenas em meio a outros cristãos. Ser missional não é deixar de se reunir com outros cristãos, mas é ir com outros cristãos ao encontro de gente que ainda não compreendeu a dimensão do evangelho. Devemos fazer isso ao longo da semana, quando estamos, talvez, sozinhos em nosso local de trabalho, na faculdade, e em outros lugares. Mais e também fazer isso "no sábado", quando estamos juntos com outros cristãos.
Então, minha sugestão é que ao invés de você continuar fazendo reuniões em um prédio seguro, em uma casa, porque você acha que ser cristão não é só ficar indo nas reuniões da igreja, mas na casa você continua é reunido com outros cristãos, que tal se começassem a se reunir em uma praça ou parque perto do prédio de sua igreja para orarem, estudarem a Bíblia, conversarem com outras pessoas que passam? Ou então fazerem isso em uma cafeteria, lanchonete ou outro espaço público perto de sua igreja? Perto do escritório da missão com a qual você de repente trabalha?
Faça essa opção! Pegue a rota missional para a sua vida.
No Caminho,
Quando olho para a igreja percebo que existe uma força poderosa que nos puxa para a inércia da vida missional. Por um lado, vejo muitas pessoas que entendem que precisam se reunir e buscam as reuniões, mas essas reuniões são completamente voltadas para si mesmas, voltadas para dentro. Procuramos nos reunir em prédios que pertencem a nossas igrejas, buscamos nos reunir com outros cristãos, e em nossas reuniões buscamos mais falar sobre a nossa vida com Deus e nossas experiências com Deus com outras pessoas (cristãs) que também tem vida com Deus ou experiências com Deus (ou pelo menos deveriam ter).
Por outro lado, vejo um grupo crescente de cristãos, rejeitando esses encontros, afirmando que não precisam deles, insistindo em que a igreja não é só isso, mas não vejo essas pessoas fazendo nada de diferente, não as vejo se envolvendo com pessoas de fora, não as vejo contando suas experiências com Deus para gente que ainda não conhece a Deus, não as vejo compartilhando o evangelho. Elas simplesmente não vêem as reuniões, ou vêem de vez em quando, conforme sua vontade. Às vezes também são pessoas que rejeitam encontros da igreja, mas estão sempre participando de encontros com outros cristãos, que também estão rejeitando os encontros da igreja.
Essas duas posturas são completamente contrárias a proposta de uma rota missional para a nossa vida! Como é ser um cristão missional? Como é fazer parte de uma igreja missional? Vou tentar responder isso a partir do texto de atos 16.13: "No sábado saímos da cidade e fomos para a beira do rio, onde esperávamos encontrar um lugar de oração. Sentamo-nos e começamos a conversar com as mulheres que haviam se reunido ali."
Esse texto está narrando o que é conhecido como a segunda viagem missionária do apóstolo Paulo. Ele e sua equipe são dirigidos pelo Espírito Santo para a Macedônia e chegam a cidade de Filipos. Ali eles começam a desenvolver a sua missão e o que fazem? Como fazem? Eles tomam a rota missional.
Primeiro eles saem da cidade. Quero fazer uma analogia com isso no sentido de sairmos de nossos prédios. A rota missional é aquela que nos coloca para fora de nossa zona de conforto. Ela nos coloca para fora da nossa casa, para fora do nosso escritório, para fora dos nossos lugares seguros, para fora dos prédios de nossas igrejas.
Segundo, eles vão juntos. Sim, eles fazem isso juntos, eles são uma equipe e entendem que como discípulos de Jesus Cristo, o que estão fazendo é missão. Eles não são um grupo que vêem o apóstolo Paulo como o "pastor" que está ali para cuidar da vida deles, mas como o "pastor" que está ali para treiná-los, motivá-los e liderá-los na vida missional.
Terceiro, eles estavam a procura de um lugar especifico. Era um lugar onde haviam pessoas e era um lugar onde haviam pessoas interessadas em coisas espirituais. Quando o texto diz que foram para a beira do rio a procura de um lugar de oração, não devemos entender que eles estavam procurando um grupo de cristãos, ou no caso de Paulo um grupo de judeus piedosos. Eles estavam a procura de um lugar que integrasse pessoas que estivessem interessadas em coisas espirituais. Afirmo isso por dois motivos! Primeiro, porque os gentios tinham seus lugares de oração para os deuses espalhados por montanhas e próximos a rios, uma vez que os deuses deles estavam sempre relacionados a algum elemento da natureza. Segundo, porque quando Paulo com sua equipe encontra aquele lugar é um grupo de mulheres que se reúne ali. Se fosse um grupo de prosélitos do judaísmo ou um grupo de judeus que se reunião para orar, não haveriam apenas mulheres. O fato de que são todas mulheres implica que não era uma "reunião de oração" dedicada ao Deus de Israel.
Assim, gostaria que você pensasse, como é que fazemos isso hoje? Para onde é que podemos nos dirigir a fim de encontrarmos pessoas reunidas e pessoas que estejam interessadas em questões espirituais? Veja bem, não necessariamente no cristianismo, mas estão em busca de algo que traga significado e sentido para sua vida. Como cristãos missionais, como igreja missional, nós precisamos ir para as praças, para os parques, para os Shoppings, para cafeterias, e outros lugares onde possamos ter contato com pessoas de fora da igreja e encontrarmos gente que está interessada em coisas espirituais, pois pode ser que haja uma Lídia entre eles a quem o Senhor abrirá o coração.
Quarto, eles começaram a conversar. É interessante que o texto não diz que eles começaram a pregar ou mesmo testemunhar, mas a falar. A palavra que aparece ai no original não é nem a que é traduzida por pregação (kerusso) e nem a que é traduzida por testemunho (martyria), mas é uma palavra que é traduzida por falar, que é usada para se referir a um diálogo a uma conversa com outra pessoa. O que isso me ensina é que ser missional não implica em sermos os portadores da verdade, sem que ouçamos o que outros pensam ou tem a dizer e, então, possamos dizer o que pensamos e temos a dizer. Precisamos descobrir um caminho do diálogo, um caminho que nos dê acesso não apenas aos ouvidos das pessoas, mas aos seus corações.
Quinto, e último, eles falaram com as mulheres. Isso na cultura do primeiro século, e para um grupo de homens que na maioria eram judeus, é um grande derrubar de barreiras, é um cruzar de fronteiras. Ser missional significa que estamos dispostos a correr o risco de falar com gente que nossa cultura religiosa diria que não deveríamos falar. Quem são as pessoas para as quais precisamos nos dirigir, e que devemos abordar?
Pois bem, estar na rota missional é estar indo ao encontro das pessoas, dirigidos pelo Espírito Santo, que estão ao nosso redor, ao invés de ficarmos o tempo todo apenas em meio a outros cristãos. Ser missional não é deixar de se reunir com outros cristãos, mas é ir com outros cristãos ao encontro de gente que ainda não compreendeu a dimensão do evangelho. Devemos fazer isso ao longo da semana, quando estamos, talvez, sozinhos em nosso local de trabalho, na faculdade, e em outros lugares. Mais e também fazer isso "no sábado", quando estamos juntos com outros cristãos.
Então, minha sugestão é que ao invés de você continuar fazendo reuniões em um prédio seguro, em uma casa, porque você acha que ser cristão não é só ficar indo nas reuniões da igreja, mas na casa você continua é reunido com outros cristãos, que tal se começassem a se reunir em uma praça ou parque perto do prédio de sua igreja para orarem, estudarem a Bíblia, conversarem com outras pessoas que passam? Ou então fazerem isso em uma cafeteria, lanchonete ou outro espaço público perto de sua igreja? Perto do escritório da missão com a qual você de repente trabalha?
Faça essa opção! Pegue a rota missional para a sua vida.
No Caminho,
segunda-feira, 19 de março de 2012
DO DEVER AO DESEJO
Olá pessoal!
Em João 8.32, Jesus faz a seguinte afirmativa: "E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará."
Quando temos contato com o evangelho e ele realmente alcança a nossa vida somos transformados! Isso é um fato, mas parece que logo a mensagem do "Evangelho da Graça", começa a tomar contornos novamente da lei e da obrigatoriedade.
Passamos a ouvir sempre que "devemos ler a Bíblia", "devemos orar", "devemos falar de Jesus para outras pessoas", "devemos ir aos encontros da igreja", "devemos", "devemos" e "devemos".
Essas colocações com o passar do tempo vai nos tornando pessoas legalistas, que tem a tendência de julgar aqueles que não estão fazendo o que "devem" fazer, ou desanimadas, porque nós não conseguimos fazer o que "devemos" fazer.
Em minha opinião essa postura é desenvolvida corroendo o evangelho, e com o passar do tempo estamos pregando outro evangelho, que não é o evangelho, como diz o apóstolo Paulo em Gálatas 1.6-7. E por que é que isso acontece?
Acontece porque achamos que temos que ensinar as pessoas o comportamento que elas devem ter e devemos garantir que as pessoas estarão agora buscando as coisas de Deus e não mais as coisas do mundo, e queremos ter certeza de que nós mesmos faremos isso, então, criamos os nossos novos "deveres".
Veja, não quero que você me entenda mal, eu acredito que cada uma dessas coisas precisam ser vividas por nós: ler a Bíblia, orar, compartilhar Jesus, ir aos encontros da igreja, e outras práticas mais, contudo, não acredito que as mesmas devam ser geradas pelo dever.
Mas, se não é pelo dever, será pelo que? Pelo desejo!
Deixe-me ilustrar isso com a vida de um de meus filhos. O meu filho do meio, Yuri, estuda em São Paulo, e passa a semana toda lá. Como ele não está conosco, com sua família, ele não vê a hora de chegar o final de semana para poder nos encontrar, para poder vir para casa e estar reunido com sua família, esse é seu desejo.
Todos os dias ela fala comigo e com a Susy (a minha esposa), fala conosco pelo telefone, fala pelo msn e pelo FB, mas ele não vê o momento de estar reunido conosco como família, sentar ao redor da mesa, estar em seu ambiente familiar.
Isso é desejo! Ele não quer vir para casa por dever, mas deseja vir!
Acredito que é assim que Deus deseja que nos relacionemos com ele, ele quer que o desejemos. Ele quer que leiamos a Bíblia, não por obrigação, mas porque temos desejo de ouvir sua voz; ele quer que oremos não por obrigação, mas porque desejamos falar com ele como nosso Pai; ele quer que compartilhemos com os outros sobre seu Filho Jesus Cristo não por dever, mas porque gostamos de falar de nosso Senhor e do que ele fez por nós e quer fazer pelos outros; ele quer que estejamos nas reuniões da igreja não por dever, mas porque desejamos estar com a família que toma o nome do Pai e celebrarmos juntos.
Do dever para o desejo! É isso que Jesus Cristo propõe quando ele estabelece que o maior de todos os mandamentos é amar o Senhor nosso Deus com toda nossa força, com nosso nosso entendimento e de toda nossa alma. Isso não é dever, é desejo!
Se desejarmos Deus, vamos desejar as coisas que ele deseja, e se desejamos as coisas que ele deseja, então nenhuma delas será um dever para nós, mas um prazer gerado pelo desejo de tê-las.
Oro para que o Espírito Santo conduza o seu coração do dever religioso para o desejo por Deus e pelas coisas que ele deseja.
No caminho,
Em João 8.32, Jesus faz a seguinte afirmativa: "E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará."
Quando temos contato com o evangelho e ele realmente alcança a nossa vida somos transformados! Isso é um fato, mas parece que logo a mensagem do "Evangelho da Graça", começa a tomar contornos novamente da lei e da obrigatoriedade.
Passamos a ouvir sempre que "devemos ler a Bíblia", "devemos orar", "devemos falar de Jesus para outras pessoas", "devemos ir aos encontros da igreja", "devemos", "devemos" e "devemos".
Essas colocações com o passar do tempo vai nos tornando pessoas legalistas, que tem a tendência de julgar aqueles que não estão fazendo o que "devem" fazer, ou desanimadas, porque nós não conseguimos fazer o que "devemos" fazer.
Em minha opinião essa postura é desenvolvida corroendo o evangelho, e com o passar do tempo estamos pregando outro evangelho, que não é o evangelho, como diz o apóstolo Paulo em Gálatas 1.6-7. E por que é que isso acontece?
Acontece porque achamos que temos que ensinar as pessoas o comportamento que elas devem ter e devemos garantir que as pessoas estarão agora buscando as coisas de Deus e não mais as coisas do mundo, e queremos ter certeza de que nós mesmos faremos isso, então, criamos os nossos novos "deveres".
Veja, não quero que você me entenda mal, eu acredito que cada uma dessas coisas precisam ser vividas por nós: ler a Bíblia, orar, compartilhar Jesus, ir aos encontros da igreja, e outras práticas mais, contudo, não acredito que as mesmas devam ser geradas pelo dever.
Mas, se não é pelo dever, será pelo que? Pelo desejo!
Deixe-me ilustrar isso com a vida de um de meus filhos. O meu filho do meio, Yuri, estuda em São Paulo, e passa a semana toda lá. Como ele não está conosco, com sua família, ele não vê a hora de chegar o final de semana para poder nos encontrar, para poder vir para casa e estar reunido com sua família, esse é seu desejo.
Todos os dias ela fala comigo e com a Susy (a minha esposa), fala conosco pelo telefone, fala pelo msn e pelo FB, mas ele não vê o momento de estar reunido conosco como família, sentar ao redor da mesa, estar em seu ambiente familiar.
Isso é desejo! Ele não quer vir para casa por dever, mas deseja vir!
Acredito que é assim que Deus deseja que nos relacionemos com ele, ele quer que o desejemos. Ele quer que leiamos a Bíblia, não por obrigação, mas porque temos desejo de ouvir sua voz; ele quer que oremos não por obrigação, mas porque desejamos falar com ele como nosso Pai; ele quer que compartilhemos com os outros sobre seu Filho Jesus Cristo não por dever, mas porque gostamos de falar de nosso Senhor e do que ele fez por nós e quer fazer pelos outros; ele quer que estejamos nas reuniões da igreja não por dever, mas porque desejamos estar com a família que toma o nome do Pai e celebrarmos juntos.
Do dever para o desejo! É isso que Jesus Cristo propõe quando ele estabelece que o maior de todos os mandamentos é amar o Senhor nosso Deus com toda nossa força, com nosso nosso entendimento e de toda nossa alma. Isso não é dever, é desejo!
Se desejarmos Deus, vamos desejar as coisas que ele deseja, e se desejamos as coisas que ele deseja, então nenhuma delas será um dever para nós, mas um prazer gerado pelo desejo de tê-las.
Oro para que o Espírito Santo conduza o seu coração do dever religioso para o desejo por Deus e pelas coisas que ele deseja.
No caminho,
domingo, 11 de março de 2012
Quando Acordamos
Não sei se você já leu a Bíblia alguma vez, e se o fez, se começou do início. Sim, pois algumas pessoas lêem a Bíblia abrindo-a aleatoriamente e quando fazemos isso é muito difícil abrirmos na primeira página.
A Bíblia começa com um livro chamado Gênesis, essa palavra significa origens, início. Logo fica claro que o objetivo do primeiro livro da Bíblia é nos contar como tudo começou no que diz respeito a nos revelar a pessoal de Deus e os bons propósitos dele para nossa vida.
Logo no primeiro capítulo do Livro de Gênesis temos o que é conhecido como a narrativa da criação, onde nos é contado como o mundo foi formado do nada, através de Deus, mediante a suas ordens pronunciadas.
Contudo, quero chamar sua atenção aqui para a forma como tudo foi feito, mas para a ordem de como foi feito. No final de cada etapa da criação lemos que houve tarde e manhã, o primeiro dia.
Não é interessante? Tarde e manhã! Não é assim que nós olhamos para nosso dia ou para nossa vida, nós sempre consideramos o dia como manhã e tarde, ou manhã e noite. Isso porque somos frutos de uma sociedade individualista e que se pauta pela ordem de nosso desempenho.
A Bíblia, no relato da criação, nos mostra que a perspectiva de Deus para nossa vida é bem diferente da nossa. Ela é uma perspectiva de cooperação, pois quando nos é dito que houve tarde e manhã, significa que Deus é quem fez o primeiro movimento, vem o descanso e acordamos para um novo dia, a fim de participarmos com ele no que está sendo feito.
Outra verdade que aprendemos com esse relato da ordem da criação é que a expectativa de Deus para com nossa vida não é de nosso desempenho, mas de nossa dependência. Ver a ordem do dia como “tarde e manhã” irá nos lembrar que podemos descansar, pois existe um Deus que tem o controle de tudo. A vida não acontece devido a nosso desempenho, acontece em resposta ao desempenho de Deus.
Portanto, quando acordamos a cada manhã devemos nos lembrar de agradecer a Deus por seu cuidado e nos prontificarmos para cooperar com ele naquilo que ele está fazendo em nosso mundo e na nossa vida.
É por isso que a Bíblia diz que as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã!
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Uma questão de perspectiva
Olá pessoal!
Uma dada perspectiva pode mudar completamente a maneira de enxergarmos as coisas, já pararam para pensar nisso?
O ano de 2012, por exemplo, tem sido apontado por muitos como o ano do fim do mundo, com todos os desafios que vivemos no mês de Janeiro, quase que me convenci de que era mesmo, apenas quem esteve envolvido com a Temporada de Verão da MPC do Brasil é que entenderá essa, risos.....
No entanto, para mim, esse ano é um ano muito especial. Primeiro, porque estou fazendo dois aniversários muito significativos: 25 anos de casamento e 25 anos de ministério com a MPC. Segundo, porque acredito que minha vida está entrando em uma convergência, onde cada vez fica mais claro para mim o que é que Deus quer que eu faça e o que ele não quer que eu faça.
Em Atos 9 temos a conhecida história da conversão de Saulo de Tarso. O que quero chamar sua atenção é para o fato de que Saulo está indo para uma cidade chamada Damasco para prender os seguidores de Jesus Cristo que ele encontrasse por lá. Ele estava indo fazer isso porque, em seu ponto de vista, ele estava servindo a Deus.
E é indo servir a Deus que Saulo é encontrado por Deus que, para sua grande surpresa, se revela a ele na face de Jesus Cristo glorificado. E essa perspectiva muda tudo na vida de Saulo, que se torna no conhecido apóstolo Paulo, o apóstolo dos gentios.
Dê perseguidor para pregador! E ele vai afirmar mais tarde que, mesmo em face da morte, não podia ser desobediente a visão celestial que havia recebido. Uma perspectiva que mudou toda uma vida.
Quais tem sido suas perspectivas? Será que nós também não temos como perspectiva a idéia de que o que precisamos fazer é servir a Deus? E será que Deus não está desejando nos encontrar em alguma "estrada para Damasco", para que possa se revelar a nós também, de modo inusitado, que renove nossa fé, vida e perspectiva?
Depois de 25 anos no ministério, 25 anos de vida conjugal, 25 anos de criação de filhos, 25 anos aprendendo a andar com Deus, minha perspectiva mudou. Quero ser encontrado por Deus a cada dia, meu coração tem a expectativa de ser achado por ele, de me deixar seduzir pelo seu amor, de aprender a ouvir a sua voz, de trabalhar menos para Deus e fazer mais as coisas com Ele, no poder dele, pela graça dele.
Como será 2012 para nós? Tudo dependerá de nossa perspectiva!
No Caminho,
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
"Uma quarta pessoa na Trindade"
Calma!
Sei que o título deste post pode ter chocado você, mas antes de tirar conclusões precipitadas e achar que me desviei para o famigerado "liberalismo teológico", convido você a fazer a leitura de todo o conteúdo deste post.
Antes de mais nada seria bom ressaltar um detalhe que faz toda a diferença! O título diz "NA" e não "DA". Isso é importante por que "DA" tem a ver com procedência, e "NA" tem a ver com localidade.
Dito isso vamos a nossa reflexão e espero que você esteja disposto a ler com atenção e refletir comigo, pois isso faz toda a diferença em nossa vida no Reino.
Dentre toda a criação de Deus apenas o ser humano foi feito a imagem e semelhança de Deus. Isso é deixado bem claro em Gênesis 1.27: "Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." Isso significa que em toda a Criação apenas o ser humano foi feito com a liberdade de escolher responder ou não ao amor de Deus.
Aqui temos um "nó" teológico que confunde muitas pessoas e que vem sendo discutido a muito tempo e por grandes teólogos e não tenho nenhuma pretensão de desfazê-lo, apenas colocarei a minha opinião sobre isso, que é seguida por muitos e rejeitada por muitos outros.
Entendo que essa expressão "a nossa imagem e semelhança" tem a ver com o fato de que apenas o ser humano foi criado com a potencialidade de responder ou não ao amor de Deus que nos é oferecido e escolher se relacionar com Deus ou não.
Todo o restante da criação, incluindo os anjos/demônios não tiveram essa opção. Os anjos foram criados para adorar a Deus e não podem fazer outra escolha, os demônios para serem rebeldes a Deus e não podem fazer outra escolha, mas o ser humano, foi criado a imagem de Deus e isso implica em conceder a ele a liberdade e o direito a escolher como irá responder a Deus. Uma vez que somos criados a imagem de Deus, também temos a responsabilidade de arcar com nossa escolha.
Assim, Deus criou o ser humano para que ele pudesse participar de um relacionamento com Deus, como é o relacionamento existente entre o próprio Deus, na Trindade. O Pai ama o Filho e o Espírito, e o Filho ama o Pai e ama o Espírito, que ama o Filho e o Pai.
Fomos criados para participarmos desse relacionamento. Fomos criados não apenas para termos vida, mas para participarmos da própria vida relacional de Deus. Quando aconteceu o que chamamos de Queda, nós, através de nossos representantes Adão e Eva, escolhemos, enganados pela Serpente, que é Satanás, procurar ter vida a parte de Deus. Ou seja, escolhemos a morte!
O que chamamos de Pecado é uma decisão que tomamos de vivermos vidas independentes de Deus, e todo ser humano nasce com essa condição, na linhagem da escolha feita por nossos representantes. Todo ser humano, que foi criado para participar da vida de Deus, nasce destituído desta vida, desligado de Deus. Como Romanos 3.23 afirma: "pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus".
Muito bem, um detalhe no entanto que não podemos deixar de lado é o fato de que antes mesmo de qualquer uma destas coisas acontecerem, Deus estabeleceu um plano que daria o suporte e a condição do ser humano poder rever sua escolha equivocada e novamente se ligar a Deus para viver o propósito para o qual foi criado, ser parte do relacionamento de vida plena existente na Trindade.
O que Deus fez? Na eternidade a Trindade decidiu que uma das pessoas, o Filho, entraria na história como um ser humano, como o primeiro Adão, e que como ser humano escolheria obedecer a Deus em tudo, o que deveria ter sido a escolha do primeiro Adão. Tendo vivido em plena obediência a Deus, como um ser humano, ele se torna um novo representante da humanidade, pois dentre todos os seres humanos só tínhamos um tipo: os que escolheram desobedecer, mas agora temos dois: um que escolheu obedecer e obedeceu. Agora como nosso representante o Deus Filho dá a sua vida, morrendo como uma pessoa justa no lugar de pessoas injustas.
O detalhe que não podemos perder aqui é que toda essa ação é definida na eternidade, antes de qualquer coisa ser criada ou acontecer, e se concretiza em nosso mundo, em nossa história, através da Encarnação do Deus Filho, na pessoa de Jesus de Nazaré. Se isso não fosse assim, então, o que Jesus fez seria uma espécie de "plano B" de Deus, mas não foi, esse era exatamente o plano do Deus Trino. Observemos dois textos sobre esse ponto:
"Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito, conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de vocês." (1Pedro 1.18-20)
"Todos os habitantes da terra adorarão a besta, a saber, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo." (Apocalipse 13.8)
Assim, nossa salvação é possível porque o Deus Trino, antes de fazer qualquer coisa, decidiu que iria nos redimir mediante sua graça que nos seria oferecida através de um representante da raça humana, que na verdade é o próprio Filho de Deus, encarnado.
Agora temos duas realidades concernente a humanidade! Ou em outras palavras, temos dois representantes! O primeiro Adão (a primeira humanidade) que se rebelou contra Deus e no qual todos nós nascemos ligados. E o segundo Adão, Jesus Cristo, (a segunda humanidade) a quem podemos ser ligados, por intermédio da graça de Deus que é acolhida por nós mediante a fé que Deus nos concede, como diz Efésios 2.8-9: "Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isso não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie."
Portanto, toda vida humana e seu relacionamento com Deus está baseada no conceito de representatividade. Ou somos representados diante de Deus por Adão, ou somos representados diante de Deus por Jesus Cristo, homem.
"Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo. (1Timóteo 2.5-6)
Essa é a compreensão que o Novo Testamento, principalmente através dos textos do apóstolo Paulo, nos dão sobre nossa salvação e nossa vida com Deus. Veja quantas vezes aparecem a expressão "em Cristo, em Jesus Cristo" nos textos do Novo Testamento, em especial nas cartas paulinas. Citando apenas mais um texto de exemplo: "Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus." (Colossenses 3.1)
E com esse texto chegamos ao tema deste artigo! Há uma "quarta pessoa" na Trindade. Jesus Cristo, homem! É claro que estou apenas usando um jogo de palavras aqui, mas para esclarecer um conceito que, como dito no início é de fundamental importância. É claro que o Deus Filho e Jesus Cristo são a mesma pessoa. É claro que ele é 100% Deus e 100% homem.
Agora, o que não é claro, muitas vezes, é o fato de que o Eterno Filho de Deus, o Verbo, quando voltou e assentou-se a direita de Deus Pai, não o fez mais como o Verbo, mas como o Deus-Homem, Jesus Cristo.
Então, a humanidade redimida está representada diante na Trindade pela humanidade de Jesus Cristo, logo, há uma "quarta pessoa" na Trindade, representada pela própria pessoa do Filho, mas que é a expressão da nossa humanidade redimida.
Colocando de outra maneira, o apóstolo Paulo nos diz que o Espírito Santo de Deus está habitando nos redimidos, e é o selo (a garantia) da nossa salvação eterna, e o livro de Hebreus nos mostra que Jesus Cristo está ao lado do Pai, nos representado como Sumo Sacerdote, como um ser humano perfeito, embora tenha 100% de sua natureza divina.
Assim, como diz meu amigo Ariovaldo Ramos: há um homem na Trindade!
Disse que isso é de fundamental importância para nossa vida no Reino de Deus. Por quê? Bem, se pensarmos do lado de Deus a importância é que quando Deus olha para os redimidos pelo Evangelho, faz isso olhando para a humanidade perfeita de Jesus Cristo, em quem estamos.
De nossa parte, como é exposto no capítulo 3 do livro de Colossenses, nós já estamos em Cristo, ressuscitados com ele, então existe um novo poder vivendo em nós, existe um novo propósito pelo qual vivemos e existe uma nova referência para a nossa vida e é por ela que devemos viver.
Tudo se fez novo!
No Caminho,
Sei que o título deste post pode ter chocado você, mas antes de tirar conclusões precipitadas e achar que me desviei para o famigerado "liberalismo teológico", convido você a fazer a leitura de todo o conteúdo deste post.
Antes de mais nada seria bom ressaltar um detalhe que faz toda a diferença! O título diz "NA" e não "DA". Isso é importante por que "DA" tem a ver com procedência, e "NA" tem a ver com localidade.
Dito isso vamos a nossa reflexão e espero que você esteja disposto a ler com atenção e refletir comigo, pois isso faz toda a diferença em nossa vida no Reino.
Dentre toda a criação de Deus apenas o ser humano foi feito a imagem e semelhança de Deus. Isso é deixado bem claro em Gênesis 1.27: "Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." Isso significa que em toda a Criação apenas o ser humano foi feito com a liberdade de escolher responder ou não ao amor de Deus.
Aqui temos um "nó" teológico que confunde muitas pessoas e que vem sendo discutido a muito tempo e por grandes teólogos e não tenho nenhuma pretensão de desfazê-lo, apenas colocarei a minha opinião sobre isso, que é seguida por muitos e rejeitada por muitos outros.
Entendo que essa expressão "a nossa imagem e semelhança" tem a ver com o fato de que apenas o ser humano foi criado com a potencialidade de responder ou não ao amor de Deus que nos é oferecido e escolher se relacionar com Deus ou não.
Todo o restante da criação, incluindo os anjos/demônios não tiveram essa opção. Os anjos foram criados para adorar a Deus e não podem fazer outra escolha, os demônios para serem rebeldes a Deus e não podem fazer outra escolha, mas o ser humano, foi criado a imagem de Deus e isso implica em conceder a ele a liberdade e o direito a escolher como irá responder a Deus. Uma vez que somos criados a imagem de Deus, também temos a responsabilidade de arcar com nossa escolha.
Assim, Deus criou o ser humano para que ele pudesse participar de um relacionamento com Deus, como é o relacionamento existente entre o próprio Deus, na Trindade. O Pai ama o Filho e o Espírito, e o Filho ama o Pai e ama o Espírito, que ama o Filho e o Pai.
Fomos criados para participarmos desse relacionamento. Fomos criados não apenas para termos vida, mas para participarmos da própria vida relacional de Deus. Quando aconteceu o que chamamos de Queda, nós, através de nossos representantes Adão e Eva, escolhemos, enganados pela Serpente, que é Satanás, procurar ter vida a parte de Deus. Ou seja, escolhemos a morte!
O que chamamos de Pecado é uma decisão que tomamos de vivermos vidas independentes de Deus, e todo ser humano nasce com essa condição, na linhagem da escolha feita por nossos representantes. Todo ser humano, que foi criado para participar da vida de Deus, nasce destituído desta vida, desligado de Deus. Como Romanos 3.23 afirma: "pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus".
Muito bem, um detalhe no entanto que não podemos deixar de lado é o fato de que antes mesmo de qualquer uma destas coisas acontecerem, Deus estabeleceu um plano que daria o suporte e a condição do ser humano poder rever sua escolha equivocada e novamente se ligar a Deus para viver o propósito para o qual foi criado, ser parte do relacionamento de vida plena existente na Trindade.
O que Deus fez? Na eternidade a Trindade decidiu que uma das pessoas, o Filho, entraria na história como um ser humano, como o primeiro Adão, e que como ser humano escolheria obedecer a Deus em tudo, o que deveria ter sido a escolha do primeiro Adão. Tendo vivido em plena obediência a Deus, como um ser humano, ele se torna um novo representante da humanidade, pois dentre todos os seres humanos só tínhamos um tipo: os que escolheram desobedecer, mas agora temos dois: um que escolheu obedecer e obedeceu. Agora como nosso representante o Deus Filho dá a sua vida, morrendo como uma pessoa justa no lugar de pessoas injustas.
O detalhe que não podemos perder aqui é que toda essa ação é definida na eternidade, antes de qualquer coisa ser criada ou acontecer, e se concretiza em nosso mundo, em nossa história, através da Encarnação do Deus Filho, na pessoa de Jesus de Nazaré. Se isso não fosse assim, então, o que Jesus fez seria uma espécie de "plano B" de Deus, mas não foi, esse era exatamente o plano do Deus Trino. Observemos dois textos sobre esse ponto:
"Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito, conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de vocês." (1Pedro 1.18-20)
"Todos os habitantes da terra adorarão a besta, a saber, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo." (Apocalipse 13.8)
Assim, nossa salvação é possível porque o Deus Trino, antes de fazer qualquer coisa, decidiu que iria nos redimir mediante sua graça que nos seria oferecida através de um representante da raça humana, que na verdade é o próprio Filho de Deus, encarnado.
Agora temos duas realidades concernente a humanidade! Ou em outras palavras, temos dois representantes! O primeiro Adão (a primeira humanidade) que se rebelou contra Deus e no qual todos nós nascemos ligados. E o segundo Adão, Jesus Cristo, (a segunda humanidade) a quem podemos ser ligados, por intermédio da graça de Deus que é acolhida por nós mediante a fé que Deus nos concede, como diz Efésios 2.8-9: "Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isso não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie."
Portanto, toda vida humana e seu relacionamento com Deus está baseada no conceito de representatividade. Ou somos representados diante de Deus por Adão, ou somos representados diante de Deus por Jesus Cristo, homem.
"Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo. (1Timóteo 2.5-6)
Essa é a compreensão que o Novo Testamento, principalmente através dos textos do apóstolo Paulo, nos dão sobre nossa salvação e nossa vida com Deus. Veja quantas vezes aparecem a expressão "em Cristo, em Jesus Cristo" nos textos do Novo Testamento, em especial nas cartas paulinas. Citando apenas mais um texto de exemplo: "Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus." (Colossenses 3.1)
E com esse texto chegamos ao tema deste artigo! Há uma "quarta pessoa" na Trindade. Jesus Cristo, homem! É claro que estou apenas usando um jogo de palavras aqui, mas para esclarecer um conceito que, como dito no início é de fundamental importância. É claro que o Deus Filho e Jesus Cristo são a mesma pessoa. É claro que ele é 100% Deus e 100% homem.
Agora, o que não é claro, muitas vezes, é o fato de que o Eterno Filho de Deus, o Verbo, quando voltou e assentou-se a direita de Deus Pai, não o fez mais como o Verbo, mas como o Deus-Homem, Jesus Cristo.
Então, a humanidade redimida está representada diante na Trindade pela humanidade de Jesus Cristo, logo, há uma "quarta pessoa" na Trindade, representada pela própria pessoa do Filho, mas que é a expressão da nossa humanidade redimida.
Colocando de outra maneira, o apóstolo Paulo nos diz que o Espírito Santo de Deus está habitando nos redimidos, e é o selo (a garantia) da nossa salvação eterna, e o livro de Hebreus nos mostra que Jesus Cristo está ao lado do Pai, nos representado como Sumo Sacerdote, como um ser humano perfeito, embora tenha 100% de sua natureza divina.
Assim, como diz meu amigo Ariovaldo Ramos: há um homem na Trindade!
Disse que isso é de fundamental importância para nossa vida no Reino de Deus. Por quê? Bem, se pensarmos do lado de Deus a importância é que quando Deus olha para os redimidos pelo Evangelho, faz isso olhando para a humanidade perfeita de Jesus Cristo, em quem estamos.
De nossa parte, como é exposto no capítulo 3 do livro de Colossenses, nós já estamos em Cristo, ressuscitados com ele, então existe um novo poder vivendo em nós, existe um novo propósito pelo qual vivemos e existe uma nova referência para a nossa vida e é por ela que devemos viver.
Tudo se fez novo!
No Caminho,
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
E estamos em 2012
Olá pessoal!
Esse é meu primeiro post do ano de 2012.
Sim, do ano de 2012, e não do novo ano, porque se você prestar bastante atenção verá que depois do dia 1 do ano, já não estamos mais em um novo ano, mas no único ano que temos, risos....
Sou muito observador, talvez fruto de minha própria constituição, talvez fruto da maneira como aprendi a aprender Karatê, observando, pois como meu Sensei é japonês, o método é esse, olhe e imite, risos... Seja como for, o fato é que sou muito observador, e somado a isso acredito que exista os dons dados pelo Espírito, sendo um deles o de discernimento, o que me faz ser mais observador ainda.
Por que estou escrevendo isso? Você parou para observar esses dois dias que já se passaram (digo dois porque estou tirando o dia primeiro do ano e o dia de hoje, 04), o que há de novo? Vi o noticiário nestes dois dias e tudo o que foi mostrado, além dos fogos de artifício do dia primeiro, foi assalto, morte, violência, mentira, aproveitamento dos fogos por ladrões para estourarem caixas eletrônicos, tragédias causadas pela chuva, etc.
Não quero desanimar ninguém, mas é preciso que tenhamos total consciência de que não se existe ano novo porque se muda uma data em um calendário, o ano só pode ser novo, quando uma nova realidade toma conta do coração das pessoas e influencia suas motivações e decisões.
Essa nova realidade só pode ser gerada pelo Evangelho, que é a proposta do que Deus fez por nós em Jesus Cristo e de como isso pode nos dar poder para vivermos vidas novas, aqui e agora. Em Efésios, um dos livros da Bíblia, nós somos informados que na verdade o que Deus fez por nós em Jesus Cristo, visa criar para ele um povo que seja para o louvor da sua glória. "Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença."
Deus nos escolheu para sermos "santos e irrepreensíveis" em sua presença! Tremendo! Mas espere um momento, se pararmos para olhar a nossa própria vida, nossos pensamentos, nossos atos, nossas omissões chegaremos a conclusão de que não somos "santos e irrepreensíveis". É verdade, mas é aqui que entra o Evangelho.
Nós não somos santos e irrepreensíveis porque conseguimos ser, somos santos e irrepreensíveis, porque estamos em Jesus Cristo que é santo e irrepreensível diante de Deus. "Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.
Quando compreendemos isso, paramos de tentar nos esforçar para sermos melhores, e aceitamos o fato de que a graça de Deus nos liga a Jesus e se estivermos ligados a ele, o poder de sua vida se manifestará cada vez mais através de nós, a medida que o buscamos como o máximo prazer de nossa vida. "Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade, a fim de que nós, os que primeiro esperamos em Cristo, sejamos para o louvor da sua glória."
Você prestou atenção? "Nós os que primeiro esperamos em Cristo". Esse é o segredo para um ano, não, na verdade para uma vida toda, diferente. Manter o nosso coração ligado a Jesus Cristo, ter a sua palavra e a presença do seu Reino, seu governo, como realidades em nossa vida, e vivermos a partir dessa esperança.
Que continuemos a trilhar 2012 convidando pessoas para deixarem sua rebelião para traz e se renderem a ele, ao Rei dos reis e Senhor dos senhores, pois é nele que podemos ser para o louvor da glória de Deus, é nele que podemos ver e ter uma vida nova e cada ano diferente.
No Caminho,
Esse é meu primeiro post do ano de 2012.
Sim, do ano de 2012, e não do novo ano, porque se você prestar bastante atenção verá que depois do dia 1 do ano, já não estamos mais em um novo ano, mas no único ano que temos, risos....
Sou muito observador, talvez fruto de minha própria constituição, talvez fruto da maneira como aprendi a aprender Karatê, observando, pois como meu Sensei é japonês, o método é esse, olhe e imite, risos... Seja como for, o fato é que sou muito observador, e somado a isso acredito que exista os dons dados pelo Espírito, sendo um deles o de discernimento, o que me faz ser mais observador ainda.
Por que estou escrevendo isso? Você parou para observar esses dois dias que já se passaram (digo dois porque estou tirando o dia primeiro do ano e o dia de hoje, 04), o que há de novo? Vi o noticiário nestes dois dias e tudo o que foi mostrado, além dos fogos de artifício do dia primeiro, foi assalto, morte, violência, mentira, aproveitamento dos fogos por ladrões para estourarem caixas eletrônicos, tragédias causadas pela chuva, etc.
Não quero desanimar ninguém, mas é preciso que tenhamos total consciência de que não se existe ano novo porque se muda uma data em um calendário, o ano só pode ser novo, quando uma nova realidade toma conta do coração das pessoas e influencia suas motivações e decisões.
Essa nova realidade só pode ser gerada pelo Evangelho, que é a proposta do que Deus fez por nós em Jesus Cristo e de como isso pode nos dar poder para vivermos vidas novas, aqui e agora. Em Efésios, um dos livros da Bíblia, nós somos informados que na verdade o que Deus fez por nós em Jesus Cristo, visa criar para ele um povo que seja para o louvor da sua glória. "Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença."
Deus nos escolheu para sermos "santos e irrepreensíveis" em sua presença! Tremendo! Mas espere um momento, se pararmos para olhar a nossa própria vida, nossos pensamentos, nossos atos, nossas omissões chegaremos a conclusão de que não somos "santos e irrepreensíveis". É verdade, mas é aqui que entra o Evangelho.
Nós não somos santos e irrepreensíveis porque conseguimos ser, somos santos e irrepreensíveis, porque estamos em Jesus Cristo que é santo e irrepreensível diante de Deus. "Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.
Quando compreendemos isso, paramos de tentar nos esforçar para sermos melhores, e aceitamos o fato de que a graça de Deus nos liga a Jesus e se estivermos ligados a ele, o poder de sua vida se manifestará cada vez mais através de nós, a medida que o buscamos como o máximo prazer de nossa vida. "Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade, a fim de que nós, os que primeiro esperamos em Cristo, sejamos para o louvor da sua glória."
Você prestou atenção? "Nós os que primeiro esperamos em Cristo". Esse é o segredo para um ano, não, na verdade para uma vida toda, diferente. Manter o nosso coração ligado a Jesus Cristo, ter a sua palavra e a presença do seu Reino, seu governo, como realidades em nossa vida, e vivermos a partir dessa esperança.
Que continuemos a trilhar 2012 convidando pessoas para deixarem sua rebelião para traz e se renderem a ele, ao Rei dos reis e Senhor dos senhores, pois é nele que podemos ser para o louvor da glória de Deus, é nele que podemos ver e ter uma vida nova e cada ano diferente.
No Caminho,
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