domingo, 17 de junho de 2012

Cuidado com a resposta

O Evangelho sempre impôs e continua impondo sobre a comunidade dos discípulos a responsabilidade de vivê-lo, compartilha-lo e respondê-lo contextualmente. O que isso significa? Isso significa que embora a mensagem do Evangelho seja uma só e inalterada, a mesma precisa ser decodificada para cada cultura e contexto especifico.

Tal ação engloba as perspectivas sociológicas, antropológicas, culturais, que envolve os diversos contextos no espaço e no tempo. Chamamos esse exercício de contextualização. Contudo, precisamos considerar a seriedade de tal prática, pois em minha opinião, em nome da contextualização podemos diluir e até mesmo perder o próprio Evangelho.

Essa não é uma situação nova, a de lidar com a contextualização da mensagem sem que a mesma seja comprometida, pois quando lemos as cartas do apóstolo Paulo no Novo Testamento já percebemos como o mesmo teve que lidar com essa questão. Vejamos alguns exemplos do que estou escrevendo:

Aos Gálatas o apóstolo escreveu: "Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que já alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo." (1.6-7)

Aos Colossenses escreve: "Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade." (2.8-9)

A Timóteo o apóstolo orienta: "Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido. Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te, pessoalmente, na piedade." (1Timóteo 4.6-7)
"Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas." (2Timóteo 4.3-4)

A Tito é dito: "Porque existem muitos insubordinados, palradores frívolos e enganadores, especialmente os da circuncisão. É preciso fazê-los calar, porque andam pervertendo casas inteiras, ensinando o que não devem, por torpe ganância." (1.10-11)

A direção que encontramos na Bíblia para essas situações é que devemos nos apegar firmemente ao evangelho e continuar anunciando-o com integridade e relevância. E para fazer isso é preciso que tomemos cuidado com nossa contextualização. Precisamos ser cuidadosos com as respostas que temos que dar aos contextos de nossa geração.

Muitas vezes percebo que a tendência de muitos cristãos é que, percebendo algum desconforto ou questionamento da sociedade para com algum aspecto do evangelho que está sendo apresentado de modo distorcido por algum grupo que carrega o nome evangélico, é de reagir procurando tratar do mesmo assunto dentro de uma cosmovisão que agrade a sociedade que nos cerca. Mas isso é um grande equivoco. Nossa resposta precisa ser com o evangelho, com o que a Bíblia chama de "sã doutrina".

Talvez o exemplo mais claro que eu possa dar é o que se refere a como lidamos com a questão do dinheiro, que evoca o assunto dízimo das Escrituras.

Como vemos muitas igrejas evangélicas completamente desvirtuadas neste campo, ensinando e procurando motivar as pessoas a darem por ganância, pois se derem Deus sempre irá dar mais para elas, ou por medo, pois se não derem Deus vai tirar tudo o que elas tem; acabamos evitando lidar com esse assunto.

A postura que muitas igrejas tomam é a de entender que o dízimo não é um tema confortável para a sociedade contemporânea, então, não vamos tratar deste assunto, ou não vamos falar disso, para não sermos confundidos com esse outro seguimento de igrejas que apostam na prosperidade sem fundamento bíblico.

Contudo, isso é um erro. Estamos dando a resposta errada. A resposta não é deixar de ensinar sobre dízimo, sobre fidelidade e contribuição, a resposta é ensinarmos sobre essas coisas a luz do evangelho, que nos mostra que devemos ser fiéis em nossa contribuição, generosos, e alegres, e que o dízimo é uma referência, assim como o sábado, para nos lembrarmos de quem é o Senhor de nossas vidas.

Isso foi só um exemplo! O mesmo diz respeito a como temos lidado com várias outras questões como sexo, homossexualismo, envolvimento com a igreja local, testemunho, etc.

Assim, tomemos cuidado com nossas respostas ao mundo que nos cerca. Não é diluindo o evangelho que cumpriremos a missão. O conveniente é que continuemos respondendo ao nosso mundo da mesma maneira que o apóstolo Paulo ordenou que Timóteo respondesse ao dele: "Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério."

No Caminho,

Ricardo Costa

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Igreja: somos uma equipe

O que significa compreendermos que a igreja é uma grande família que trabalha junta em prol do Reino de Deus? Cada um dos nossos vários ministérios precisam se ver como uma equipe, um time, cujo objetivo de cada um é cumprirem juntos a missão de Deus. Ai, cada ministério precisa olhar para os demais como parte integrante de uma mesma e grande equipe. Vou compartilhar cinco princípios que devem estar presentes em todos nós, em todos os ministérios e em toda a vida de uma igreja local:

1. Trabalharmos juntos sempre precederá vencermos juntos. Todos devemos estar dispostos a trazer e dar o nosso melhor para Deus, ao invés de ficar esperando que alguém faça isso.

2. Todos nós devemos ser valorosos ao time. Isso significa que devemos apoiar e pastorear uns aos outros e não ficar esperando que apenas o líder faça isso. Também precisamos ser receptivos a todo feedback que seja saudável.

3. A base de nossas equipes deve ser o relacionamento de amizade e não o relacionamento funcional. Devemos trabalhar duro, mas devemos gostar de estar juntos em contextos informais, nos divertir juntos, comer juntos, rir, chorar, passear, se envolver em atividades fora do ministério. A igreja não é um negócio, é uma família.

4. Todos da equipe devem se sacrificar em busca da excelência, e não apenas alguns. Devemos carregar as cargas juntos.

5. A chave para mantermos a saúde e unidade do time e da igreja é a resolução intencional de conflitos. Precisamos amadurecer e entender que ser uma equipe não significa que não teremos conflitos. A diferença está em como lidamos com nossos conflitos. Neste ponto há sempre três possibilidades: a) Isolamento, nos fecharmos para os relacionamentos; b) Descartarmos, jogarmos fora os relacionamentos saindo da equipe (igreja); c) Buscar a reconciliação, exercendo a humildade e o perdão mútuos, pela graça. As duas primeiras atitudes não irão nos transformar e cooperar para que amadureçamos em Cristo, mas a terceira nos fará amadurecer e nos tornará uma equipe e igreja que tenha a estatura de Jesus Cristo.

Como você quer caminhar? Desejamos que nossa igreja seja uma comunidade de discípulos que trabalham juntos pela edificação e expansão do Reino de Deus. Que essa seja a escolha de cada um de nós,

No Caminho,

Ricardo Costa

terça-feira, 29 de maio de 2012

Desafiando o poder absoluto de quem é amado.

"Vivemos em tempos de grande fragilidade emocional. As pessoas se ofendem com facilidade e, quando são criticadas, reagem, dizendo ter sido ofendidas. Na verdade, vivemos numa época em que a ofensa emocional, ou a mágoa, quase sempre se transforma em padrão de julgamento para decidir se houve amor nas palavras do ofensor. Se alguém reclamar que se sentiu ofendido por algo que você disse, muitos outros pensarão que você não agiu com amor. O amor, portanto, não é validado por eles pela qualidade do ato e nem por seus motivos, mas pelas reações subjetivas. Neste tipo de relacionamento, o ofendido tem autoridade absoluta. Se ele disser que você o ofendeu, muitos entenderão que você não agiu com amor, que você é culpado. Jesus não permitirá que esse conceito fique livre de contestação." (John Piper)

Essa consideração de John Piper sobre como nossos relacionamentos hoje são influenciados por essa cultura da "psicologização" da alma é, em minha opinião, fenomenal. Se lermos os Evangelhos com atenção iremos perceber que existe um "Jesus" no imaginário da igreja contemporânea que não tem nada a ver com o Jesus revelado na Bíblia.

Na "cultura do descarte" em que vivemos tornamos os nossos relacionamentos também descartáveis e isso acontece porque medimos os mesmos pelos nosso subjetivismo e não pela objetividade, coerência e verdade, do que os valores da vida, em especial da vida do Reino, nos apresenta.

Quando nos sentimos em uma situação embaraçosa, quando nos sentimos acuados, ou contrariados, ao invés de fazermos a opção de amadurecer em nossas relações, aprendendo a acolher o outro, a dar-lhe a liberdade de nos contrariar, a acolher o que julgamos ser "ofensa", e às vezes é mesmo, preferimos abrir mão dos nossos relacionamentos, argumentando que o outro não nos amou.

Assim, descartamos casamentos, descartamos amizades, descartamos a vida no comunidade dos discípulos, nos iludindo que não estamos fazendo isso, porque estamos indo para outra "igreja", mas o problema é o motivo pelo qual estamos indo para outra igreja. Podemos procurar enganar a nós mesmos, mas como diz o apóstolo Paulo, nossa consciência nos acusa, e sabemos disso.

Voltando a Jesus, o Jesus que a Bíblia revela, acho que muitas pessoas não gostariam dele e não estariam mais em nenhuma igreja se ele fosse o pastor das mesmas. Jesus é a própria expressão de amor de Deus, mas veja como ele confronta e lida com seus discípulos: "até quando vou ter que suportar vocês, homens de pequena fé", é o que ele diz a seus seguidores quando são incapazes de expulsar um demônio. À um homem que diz que quer segui-lo, mas que tem que terminar seus negócios ele diz que não há tempo, ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é digno do Reino de Deus. E a outro que quer ir ao velório dos pais, ele diz para que deixe os mortos sepultar seus próprios mortos.

Entre tantas outras colocações que são feitas por Jesus, a amigos, aos discípulos e a seus opositores. A questão é que ele não mudou. E ele continua dizendo essas e todas as outras coisas registradas na Bíblia para mim e para você. Contudo, muitos preferem entender que tais colocações não são para hoje. Muitos preferem se enganar dizendo que são seus discípulos, mas que estão ofendidos é com o pastor, e com o outro irmão que os desrespeitou ou os humilhou.

Minha pergunta é: Se Jesus Cristo é o Senhor de nossas vidas, que direito temos de argumentar contra qualquer das exigências que ele nos apresenta? Precisamos nos libertar dessa enfermidade que foi gerada em nossa geração chamada "sentimentalismo". Precisamos parar de querer nos sentir feridos e ofendidos por qualquer coisa que não expresse aquilo que gostaríamos que expressasse.

O Reino de Deus é para ser tomado a força! Ou seja, é para ser vivido para valer! Jesus não tem meios discípulos, ou somos, ou não somos, foi ele quem disse, quem não é por mim é contra mim, e quem comigo não ajunta, espalha.

Deixe-mos nossos fracos argumentos de lado, e nos dobremos, portanto, aquilo que a Palavra de Deus nos diz! Nada de descartar relacionamentos, nada de excluir-nos, buscando outros lugares, não pela missão,  mas pelo desejo de evitar o trabalho de amarmos e perdoarmos, como Jesus nos ordenou.

No Caminho,


terça-feira, 15 de maio de 2012

Os Desafios da Liderança na Vida do Homem




INTRODUÇÃO
Se você é um homem, e em especial um homem que tomou a decisão de seguir a Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador, então, tem diante de você um grande desafio.
Como homens cristãos estamos inseridos em uma sociedade que demanda de nós o mais alto custo do discipulado. Se não, vejamos:
  1. Em termos profissionais, estamos inseridos em um mercado acirrado, onde o “Dinheiro” continua sendo o grande “deus” que disputa a governo em nosso coração com o governo do Reino de Deus.
  2. Em termos familiares, somos pressionados pelo desafio de darmos uma qualidade de vida adequada a nossos filhos, o que exige de nós cada vez mais tempo dedicado ao trabalho, e darmos a eles da nossa presença para que tenham um referencial de masculinidade que seja saudável.
  3. Em termos conjugais, vivemos a pressão imposta por nossa sociedade do espaço e sucesso profissional de nossa esposa, que muitas vezes rouba a sua identidade de auxiliadora idônia; e a demanda de uma sexualidade descomprometida, que se apresenta cada vez mais como parte comum da agenda da vida.
  4. Em termos espirituais, nos sentimos muitas vezes temerosos de assumirmos nosso lugar como líderes que Deus nos levantou para ser em nossa casa, igreja e sociedade, transferindo essa responsabilidade para terceiros, que achamos serem os “profissionais” nesta área.
O texto de Efésios 6.19-22 nos apresenta alguns requesitos básicos que precisamos cultivar para respondermos ao desafio de sermos homens de Deus em uma sociedade como a nossa.
Antes, porém, de abordar esses requisitos, deixe-me levantar o contexto da época em que esse texto foi escrito, para que não pensemos que a situação deles era mais favorável do que a nossa quanto a responder ao desafio de sermos homens de Deus no nosso mundo.
A igreja de Éfeso para a qual essa carta originalmente é escrita, estava presente em uma cidade portuária e cosmopolita. Era uma cidade cujo comercio era intenso, e isso exigia muito profissionalmente daqueles que ali viviam. A cidade tinha sua economia em torno da arte dos ourives que produziam imagens da deusa Diana.
Além disso, a cultura da cidade estava imersa em uma vida de promiscuidade que era validade pelo culto a “Grande Diana dos Efésios”, uma deusa da fertilidade grega, que tinha um enorme templo erigido a ela, com mil sacerdotisas, que eram prostitutas cultuais, que ministravam dia e noite, o que tornava a cidade visitada por muitos adoradores e com uma forte ênfase na promiscuidade, pois fazia parte do ritual da adoração a Diana o ato sexual com as sacerdotisas de Diana, o que poderia acontecer em qualquer lugar. 
Também eram exercidas muita arte mágica e feitiçaria por conta de se entender que as mesmas davam aos seus praticantes a capacidade de manipular a vontade dos deuses.
Assim, o contexto para o qual originalmente esta carta é escrita, não difere muito do nosso próprio contexto, no que diz respeito aos desafios de se ter uma vida regida por novos valores, que são amplamente opostos a ordem do dia na agenda da sociedade que nos cerca.
Assim, quais são os requisitos que a palavra de Deus nos apresenta neste texto para respondermos aos desafios de nossa liderança masculina?
O requisito da oração (v.19)
Precisamos de pessoas que orem por nós! 
Precisamos de ter uma vida consistente de oração, por várias vezes encontramos o apóstolo Paulo orando nesta carta (1.3; 1.17-19; 3.14-21), mas também precisamos de gente que ore por nós. 
Sugiro que devamos construir uma confraria de oração. Cada um de nós deveria ter mais dois outros homens com quem pudéssemos contar para estarem orando especificamente por nós e por quem pudéssemos orar. Além, é claro de contar com a oração de toda a igreja.
O requisito do evangelho (v. 19)
O apóstolo Paulo era um pregador do evangelho! E para que ele pudesse pregar o evangelho, primeiro ele precisava receber a mensagem.
Em Efésios 3.1-6 o apóstolo Paulo diz que recebeu o conhecimento deste evangelho e foi comissionado para compartilhar esse evangelho.
Esse conhecimento não diz respeito meramente a uma compreensão teórica do conteúdo do evangelho, mas um apropriação experiêncial do mesmo em sua vida, para que o mesmo pudesse ser compartilhado com outros.
Só existe uma mensagem que é capaz de fazer frente a todas as pressões que estão ao nosso redor, e essa é a mensagem do evangelho. Somente quando o evangelho se torna parte de nós é que teremos poder para enfrentar qualquer valor que seja contrário ao estilo de vida do Reino de Deus que nos é proposto.
O requisito da coragem (v.19-20)


Em minha opinião uma das questões que mais precisamos lidar em nossas vidas como homens é a da coragem. Desde a Queda a covardia tem sido um mal que acompanha a nossa masculinidade.
O medo traz grandes prejuízos para nós como homens e líderes. Por causa do medo nos omitimos, por causa do medo mentimos, por causa do medo abrimos mão de valores que não deveríamos abrir.
Contudo, encontramos muitas vezes nas Escrituras, o desafio de Deus para que sejamos homens de coragem (Josué 1.6,9; Juízes 6.12). Deus não aprova os covardes, ao contrário a covardia é vista como pecado para Deus (Apocalipse 21.7-8).
Precisamos ser homens de coragem para não abrirmos mão do nosso compromisso com o governo de Jesus Cristo sobre nossas vidas, mesmo que venhamos a sofrer consequências por causa disso (Efésios 6.20)
O requisito da parceria/amizade (v.21-22)
Nós homens geralmente temos mais dificuldades de sermos transparentes uns com os outros do que as mulheres. Não gostamos de expressar nossa vulnerabilidade, talvez esse seja um dos motivos de encontrarmos poucos homens envolvidos com a prática da oração comunitária.
Contudo, Deus nos criou para sermos relacionais. Precisamos uns dos outros se queremos nos fortalecer como homens de Deus e como líderes que fazem a diferença em nossa casa, igreja e sociedade.
Precisamos uns dos outros para que possamos nos fortalecer e nos estimularmos a caminhar sem desistir. Neste texto há duas perspectivas nesta dimensão da relacionalidade.

  • A primeira, é a da parceria de Paulo com a igreja. Ele envia Tiquico porque quer que a igreja saiba como ele, Paulo, está. O apóstolo não quer esconder a sua situação. Ele não pretende fingir, não pretende usar máscaras.
Nós também precisamos de uma igreja que possa nos conhecer. Nós também precisamos de uma igreja para quem possamos abrir nosso coração e expor nossa situação contando com suas orações e apoio. Isso acontece de modo mais fácil em um contexto de pequenos grupos, do que em uma reunião geral com toda a comunidade, mas ela precisa acontecer.

  • A segunda, é a própria amizade de Tíquico. Você tem “Tiquicos” em sua vida? O apóstolo Paulo tinha vários! É muito interessante ver que em suas cartas ele descreve uma grande quantidade de pessoas pelo nome, e com expressões de afeto, o que demonstra como Paulo era uma pessoa que tinha amigos.

Você tem amigos? Gente que te conhece, que sabe de suas lutas, que acompanha sua história, que pode contar para outros, não a titulo de fofoca, mas quando você precisar, qual é a sua situação?
CONCLUSÃO
Se buscarmos observar esses requisitos nossa masculinidade será fortalecida. Se nossa masculinidade for fortalecida, nossas esposas ganharão com isso e nossos filhos também. 
Se assumirmos o nosso lugar como líderes, se sairmos de trás de nossas “árvores” e assumirmos o nosso lugar a igreja ganhará com isso e a sociedade também.

No Caminho, 

Ricardo Costa

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Mesa da Comunhão


Existem palavras que são próprias de um determinado contexto! Por exemplo:
  • há palavras que são próprias do contexto militar, como: SENTIDO!
  • há palavras que são próprias do contexto da intimidade familiar: Apelidos carinhosos que são dados no contexto da família
  • há palavras que são próprias do contexto esportivo: “O lutador levou uma baiana”.
Assim também a palavra COMUNHÃO é particularmente própria do contexto da igreja, a comunidade dos seguidores de Jesus Cristo.
No contexto social também há relacionamentos, amizade, parceria, e todas essas dimensões estão contidas na palavra comunhão, mas a palavra comunhão, em termos bíblicos transcende todas essas coisas.
Isso porque o conceito bíblico para a palavra comunhão é o evangelho! Na igreja temos comunhão não porque meramente gostamos das pessoas, não porque nos damos bem o tempo todo uns com os outros, mas porque o evangelho promoveu essa comunhão entre nós.
Jesus deixou claro que aquilo que ele veio fazer através de sua morte e ressurreição era promover a condição de termos nossa comunhão restaurada com Deus e uns com os outros.
“Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim.” (João 17.20-23)
O nosso problema é que achamos que para essa “comunhão” existir as pessoas precisam sempre responder positivamente a nossas expectativas e isso não acontece, então, achamos que não temos comunhão.
Mas, a comunhão não é uma opção, é uma realidade. Portanto, ou nós nos dispomos a viver em comunhão com Deus e uns com os outros, ou não estamos vivendo em comunhão com Deus, mesmo que achemos que estamos vivendo.
Deixe-me compartilhar com você algumas realidades concernentes a vida de comunhão para a qual Deus nos resgatou.

A COMUNHÃO É ESTABELECIDA EM JESUS CRISTO.
“Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade, anulando em seu corpo a Lei dos mandamentos expressa em ordenanças. O objetivo dele era criar em si mesmo, dos dois, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliar com Deus os dois em um corpo, por meio da cruz, pela qual ele destruiu a inimizade. Ele veio e anunciou paz a vocês que estavam longe e paz aos que estavam perto, pois por meio dele tanto nós como vocês temos acesso ao Pai, por um só Espírito.” (Efésios 2.14-18)
Esse texto deixa claro para nós que foi através da morte de Jesus Cristo que Deus promoveu a reconciliação, não apenas entre nós e ele, mas também uns com os outros. Portanto, a comunhão não é fruto de um esforço de nossa parte para tentar ter um bom relacionamento uns com os outros.
A comunhão é manifestada em nossa vida para com o outro a medida que nos submetemos ao poder do evangelho, ao poder da vida de Jesus Cristo que está em nós, a medida que dizemos não para nossa justiça própria e nos colocamos sob a justiça da cruz.
Quando temos algum tipo de desentendimento, quando nos deparamos com alguma forma de manifestação de pecado cometido por nós ou por outros, precisamos entender que tal situação não destrói a comunhão. O que destrói a comunhão é a nossa indisposição de abrir mão de nossos direitos, quebrantar nosso coração e acolher com graça e perdão o outro e nos deixarmos ser acolhidos com graça e perdão pelo outro.
Se isso não for feito, estamos barrando nossa comunhão com o outro, mas também estamos barrando nossa comunhão com Deus. E é por isso que Jesus nos instrui a não adorar sem que nosso coração esteja resolvido com o outro.
“Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com o seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.” (Mateus 5.23-24)
A postura que nossa sociedade tem, incluindo muitos dos que fazem parte da igreja, é a de se temos problemas com alguém não vamos mais nos relacionar com essa pessoa:
  • Se nosso filho tem problemas com o professor vamos levá-lo para uma nova escola;
  • Se temos problemas no relacionamento conjugal, vamos atrás de uma nova relação; 
  • no caso de igrejas, vamos embora para outra, ou, alguns até acham que a pessoa com quem temos problema é que deve ir embora para outra igreja, pois afinal de contas chegamos primeiro.
Lembremos que Jesus Cristo pagou o preço da sua vida para que tivéssemos comunhão novamente com Deus e uns com os outros.
“Nós lhes proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.” (1João 1.3)

A COMUNHÃO É MANTIDA POR NOSSA OBEDIÊNCIA A PALAVRA DE DEUS.
“Como prisioneiro no Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que receberam. Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor. Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.” (Efésios 4.1-3)
Nossa tendência natural, como seres humanos afetados pela Queda, é a de que nos injuriemos com o que vemos de errado no outro e respondamos a isso com indignação.
Contudo, se fomos alcançados pelo evangelho, estamos vivendo sob um novo poder, mas também sob uma nova ordem de padrões e de posturas que devemos assumir. Tiago nos diz:
“Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz a justiça de Deus.” (Tiago 1.19-20)
É claro que não estamos dizendo aqui que devemos fingir que não existe nada de errado, quando alguma coisa errada estiver acontecendo. O que estamos dizendo aqui é que a maneira como agimos com o que está acontecendo de errado é produzida por uma postura diferente, que deve se manifestar em nós se formos obedientes a palavra de Deus.
Veja o texto de Efésios nos ensina que devemos:
  • Que ao lidarmos uns com os outros precisamos ser completamente humildes, pois também temos nossas falhas, nossos desvios de caráter, nossos pecados, mesmo que esses estejam ocultos dos olhos das pessoas. Lembre-se que um dia todos eles serão revelados.
“Os pecados de alguns são evidentes, mesmo antes de serem submetidos a julgamento, ao passo que os pecados de outros se manifestam posteriormente. Da mesma forma, as boas obras são evidentes, e as que não o são não podem permanecer ocultas.” (1Timóteo 5.24-25)


  • Que ao lidarmos uns com os outros precisamos ser completamente dóceis. Ver o erro do outro não nos dá o direito de sermos duros no tratamento com o mesmo. Esse é o padrão do presente mundo mal, incluindo a religião, mas não é o padrão do Reino de Deus. Mesmo na correção precisamos ter palavras dóceis e gentis para com o outro e não palavras que firam e esmaguem.

“Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais, deverão restaurá-lo com mansidão.” (Gálatas 6.1)
  • Que ao lidarmos uns com os outros precisamos ser completamente pacientes. Nossa tendência é a de achar que para tudo tem um limite. Usamos a expressão “minha paciência tem limite”. O problema novamente é que na esfera dos nossos relacionamentos no Reino de Deus esse limite está definido pelo que Jesus Cristo fez por nós. E como ele nos perdoou ilimitadamente, precisamos ter paciência ilimitada uns para com os outros. Jesus em Mateus 18.15-17 e 21-35 nos ensina como é que a paciência deve ser uma pratica na manutenção de nossos relacionamentos como seguidores dele.
Nossa paciência precisa ser manifestada como um continuo suporte de amor um ao outro. Nossa meta é vermos a paz de Cristo preservada em nossos relacionamentos por conta da unidade do Espírito que temos entre nós.
Assim, se formos obedientes a toda a palavra de Deus e não apenas aquilo que nos é conveniente, se formos obedientes ao governo de Jesus Cristo que é exercido sobre nós por sua palavra e pelo poder de seu Espírito, nós vamos trabalhar pela reconciliação e preservação da paz em todas as esferas dos nossos relacionamentos.

A COMUNHÃO É DESENVOLVIDA A MEDIDA QUE CRESCEMOS NO NOSSO RELACIONAMENTO COM DEUS.
“Esta é a mensagem que dele ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nele não há treva alguma. Se afirmamos que temo comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” (1João 1.5-7)
Um detalhe que geralmente acaba nos passando despercebido é que a fonte de toda a comunhão está na nossa relação com Deus e não meramente na busca de um bom convício com o outro.
A palavra de Deus nos ensina que em Cristo fomos trazidos a paz! Ela nos ensina que devemos preservar essa paz através de nos mantermos vinculados pelo Espírito. E a maneira de nos mantermos ligados pelo Espírito é que cada um de nós tem no coração o desejo de buscar uma crescente vida de relacionamento com Deus.
Veja, isso é simples! Somos seres caídos! Nosso sistema original foi contaminado pelo pecado, e Deus em Jesus Cristo, pelo seu Espírito está nos restaurando ao plano original. Contudo, para que isso aconteça nós precisamos nos dispor para responder continuamente a obra do evangelho em nossa vida.
Todos os dias precisamos escolher andar na luz! Todos os dias precisamos cultivar em nosso coração o compromisso com a rendição de nossa vontade ao Senhor. Nós não temos comunhão uns com os outros porque queremos, nós temos comunhão uns com os outros porque essa é a consequência natural de estarmos em comunhão com Deus.
O apóstolo Paulo nos apresenta isso em sua Carta ao Gálatas, quando nos fala sobre as obras da carne e o fruto do Espírito. Esses dois conjuntos de atitudes são a manifestação do nível de nossa vida com Deus e como isso se expressa para com nossos relacionamentos.
Vejamos como isso é tratado em Gálatas 5:
“Toda a Lei se resume num só mandamento: Ame o seu próximo como a si mesmo. Mas se vocês se mordem e se devoram uns aos outros, cuidado para não se destruírem mutuamente. Por isso digo: Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne.” (Gálatas 5.14-16)
O contexto que dá fundamento a lista que é feita pelo apóstolo Paulo do que é chamado de obras da carne e frutos do Espírito é como estamos nos relacionando uns com os outros.
Satisfazer os desejos da carne neste texto é agir para com o outro conforme a nossa velha natureza anseia. E como é?
“Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes.” (Gálatas 5.19-21)
E viver pelo Espírito é andar em comunhão continua com Deus, buscando sua vontade manifesta em sua Palavra e agindo de conformidade com a vida do Espírito que está em nós. Se assim fazemos o que se manifesta em nossos relacionamentos é o que a palavra de Deus chama de fruto do Espírito.
“Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.” (Gálatas 5.22-23)
Conforme o texto bíblico, nossos relacionamentos são beneficiados pelo fato de que já estamos em Cristo, e que nele estamos crucificando a nossa velha natureza. Não exigimos mais os nossos direitos, eles foram crucificados com Cristo.
“Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, andemos também no Espírito.” (Gálatas 5.24-25)
Quanto mais íntimos formos de Deus, mais consciência teremos do pecado, mas também mais graça para oferecer aqueles que pecam.
CONCLUSÃO
Toda essa realidade se personifica na mesa da comunhão!
Aproximar-se da mesa da comunhão, para participar da santa ceia, exige de cada um de nós a disposição de estar em paz com Deus e uns com os outros.
As Escrituras nos dizem para não nos aproximarmos da mesa da comunhão sem discernir o corpo de Cristo. Isso significa que não podemos participar desta mesa sem ter a consciência de que ela promove a paz entre nós e Deus, mas também entre uns com os outros.
As Escrituras nos dizem que devemos examinar a nós mesmos e, então, comermos do pão e bebermos do cálice, e isso implica em ver se nosso coração não está precisando acertar qualquer pendência com o outro.
Implica em aceitarmos o fato de que comer e beber da mesa da comunhão é dizer para Deus que aceitamos a oferta de seu perdão e graça para nós e estamos dispostos a estendê-la aos outros.
Se fizermos a primeira parte sem a segunda, estamos comendo e bebendo juízo sobre nós, pois Deus irá nos colocar a mercê dos “torturadores”, até que aprendamos que mesmo que as pessoas errem conosco precisamos perdoá-las e liberá-las de nossas exigências, seja quantas vezes forem, pois fomos perdoados uma única vez, mas de uma dívida impagável.

No Caminho,


Ricardo Costa

sábado, 21 de abril de 2012

Conselhos de Deus em tempos de aflição


Penso que não estou equivocado em afirmar que o maior anseio de todo ser humano é o de ser feliz.

Felicidade é algo que nos atrai. Acredito que nos atraia porque fomos criados para sermos felizes, mas a nossa sociedade atrela o conceito de felicidade a isenção de problemas e dificuldades que geram aflições em nossa vida.

A questão em relação a isso é que a maioria das pessoas andam tomadas por ansiedade e frustração, incluindo aqueles que buscam algum tipo de auxílio para suas vidas na religião.

Ansiedade, porque quando as coisas vão bem em nossas vidas, ficamos sempre temerosos de que algo de ruim aconteça, trazendo aflição sobre o nosso viver, e assim acabamos vivendo a nossa vida sob pressão.

Frustração, porque mais cedo ou mais tarde acabamos tendo que lidar com situações difíceis e problemáticas, que geram aflição em nosso viver.

Você passou ou está passando por algum tipo de aflição? O que você espera de Deus em relação a essa situação? Como você tem encarado essa aflição?

Então a questão que se levanta é: se andamos com Deus, por que é que passamos por tempos de aflições em nosso viver? Por que Deus não nos livra das mesmas?

O fato que precisamos considerar é que as Escrituras bíblicas em nenhum lugar faz menção de Deus nos prometer uma vida sem aflições se acreditarmos nele e se andarmos com ele.

O que ele nos promete é a graça da sua presença que pode nos dar sabedoria e forças para atravessarmos tempos de aflição.

Neste texto do Evangelho de João 16.17-33, estamos sendo introduzidos a realidade com a qual Jesus estava para se deparar, a cruz, que traria muita aflição para ele, mas também para seus primeiros seguidores.

Olhando para esse texto vejamos alguns conselhos que recebemos de Jesus para lidarmos com as nossas próprias aflições.

TODA AFLIÇÃO É TRANSITÓRIA.

“Digo-lhes que certamente vocês chorarão e se lamentarão, mas o mundo se alegrará. Vocês se entristecerão, mas a tristeza de vocês se transformará em alegria. A mulher que está dando à luz sente dores, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela esquece a angústia, por causa da alegria de ter vindo ao mundo. Assim acontece com vocês: agora é hora de tristeza para vocês, mas eu os verei outra vez, e vocês se alegrarão, e ninguém lhes tirará essa alegria.” (v.20-22)

É impressionante a clareza e objetividade de Jesus neste texto quanto as nossas aflições!

Primeiro, ele deixa claro que vamos enfrentar aflições: “Digo-lhes que certamente vocês chorarão e se lamentarão,” Segundo ele deixa claro que isso não vai durar para sempre: “mas a tristeza de vocês se transformará em alegria.”

Muitas pessoas procuram na religião algo que possa acalentar suas aflições e muitos líderes religiosos apresentam uma mensagem falsa de que se estivermos com Deus, então, não vamos ter nenhuma aflição em nossas vidas.

Contudo, Jesus Cristo, aquele que veio para revelar plenamente a nós quem Deus é e como ele é, não endossa esse conceito. Jesus deixa claro que pelo simples fato de estarmos vivendo em nosso mundo, a aflição será parte de nossa vida.

Por quê? Bem, não é porque Deus seja mal ou que goste de nos ver sofrendo, mas é porque essa é a consequência gerada em um mundo que foi deformado pela nossa desobediência a Deus e ruptura com seu projeto para nossas vidas.

Deus criou um mundo bom e perfeito e fez o ser humano para gerenciar essa criação boa e perfeita, a medida que mantivesse um relacionamento de amizade com Deus. No entanto, escolhemos seguir nosso próprio caminho e liderar nossa própria vida, a parte de Deus, e isso trouxe todo o caos e todo desencontro que experimentamos presente em nosso mundo hoje.

Mas, mesmo assim, por sua infinita graça, através de Jesus Cristo, Deus nos oferece o caminho de volta a uma vida de amizade com ele. Uma vida que pode ser conduzida novamente a partir do governo dele sobre nós, e que pode nos encher de alegria.

Essa vida não irá nos eximir das aflições aqui, mas as tornará transitórias, pois a realidade eterna é a alegria de experimentarmos a vida de Deus em nós e de participarmos do que ele está fazendo no mundo.

Quando somos justificados por Deus através de Jesus Cristo, não apenas passamos a ter paz com Deus, mas a nossa própria vida ganha um novo sentido incluindo nossas aflições.

“Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança.” (Romanos 5.3-4)

TODA AFLIÇÃO PODE NOS CONDUZIR A UMA MAIOR INTIMIDADE COM DEUS.

“Naquele dia vocês não me perguntarão mais nada. Eu lhes asseguro que meu Pai lhes dará tudo o que pedirem em meu nome.” (v.23)

“Naquele dia”! Que dia é esse ao qual Jesus está se referindo aqui? Ao dia da sua ressurreição. Quando sua obra de redenção tiver sido efetivada em favor daqueles que se rendem ao seu amor gracioso.

Contudo, para que se chegue a esse dia, tanto Jesus quanto os discípulos passariam por aflições. Jesus pela aflição do abandono e da cruz, seus seguidores pela aflição do medo e da covardia.

“Aproxima-se a hora, e já chegou, quando vocês serão espalhados cada um para sua casa. Vocês me deixarão sozinho.” (v. 32)

Mas a boa notícia que o texto nos traz é que em meio a essas aflições a experiência com a presença amorosa de Deus pode se tornar singular.

Os discípulos receberiam uma experiência crescente de intimidade com o Pai:

“Nesse dia, vocês pedirão em meu nome. Não digo que pedirei ao Pai em favor de vocês, pois o próprio Pai os ama, porquanto vocês me amaram e creram que eu vim de Deus.” (v.26-27)

Jesus Cristo tem sua segurança no amor incondicional do Pai por ele:

“Vocês me deixaram sozinhos. Mas eu não estou sozinho, pois meu Pai está comigo.” (v.32)

Embora busquemos a felicidade, e a busquemos porque fomos criados para sermos felizes, é importante entender que a felicidade na perspectiva bíblica não é viver sem aflições, mas é viver em uma crescente amizade e intimidade com Deus.

“Qual é o fim principal do ser humano? O fim principal do ser humano é glorificar a Deus e ter prazer nele para sempre.” (Breve Catecismo de Westiminster, atualizado)

Por isso a Bíblia nos diz:

“Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida, que Deus prometeu aos que o amam.” (Tiago 1.12)

O segredo, portanto, não está em como ter uma vida sem aflições, mas em como permanecer apegado a Deus, mesmo em meio a nossas aflições, até que a obra redentora de Jesus Cristo seja manifestada plenamente entre nós.

TODA AFLIÇÃO SERÁ SUCUMBIDA PELA PLENITUDE DA ALEGRIA DA SALVAÇÃO.

“Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo.” (v.33)

Esse é um dos comentários mais extraordinários feitos por Jesus Cristo. Sua vida, sua morte e sua ressurreição, trouxeram de volta a possibilidade de experimentarmos as realidades significativas do Reino de Deus em nossa vida agora e usufruirmos plenamente disso no futuro.

O que a Bíblia chama de “salvação”, ou “evangelho”, é essa ação de Deus em Jesus Cristo, corrigindo o curso de destruição em que nosso mundo foi colocado, dirigindo-o novamente para o propósito original de sua criação.

O fato é que “neste mundo” teremos aflições. Nesta presente ordem, onde muitas coisas são feitas ainda em rebelião contra Deus, mas aqueles que se renderam ao governo de Deus em Jesus Cristo, já começam a experimentar a paz (shalom) da vida do Reino que já está entre nós.

Por isso mesmo podemos ter ânimo! Mesmo em meio as aflições podemos ter ânimo, pois sabemos quem venceu o mundo. Reconhecemos que Jesus Cristo fez isso naquela cruz. Ele venceu a morte, o pecado e o Diabo, e agora está oferecendo um novo estilo de vida para cada pessoa que se render ao amor gracioso dele e conduzindo-as a uma nova realidade de vida que se estabelecerá mais cedo ou mais tarde em nosso mundo.

Nesta nova realidade de vida que está sendo edificada em Jesus Cristo, neste “novo mundo”, não haverá mais aflições.

“Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou.” (Apocalipse 21.4)

Até que chegue essa nova ordem, Jesus Cristo estará conosco, através de seu Espírito, nos conduzindo por entre nossas aflições, com sua paz e fazendo de nós promotores desta mesma paz para a vida de muitos outros aflitos.

Essa é uma realidade que pode ser sua agora! Se você está vivendo em aflição e precisa de paz, Jesus Cristo a oferece para você. Mas não para que você não tenha mais aflições, e sim para que mesmo em meio as aflições você experimente sua maravilhosa presença de amor e poder.

Se você já tem experimentado essa realidade, Jesus Cristo quer que você se una a ele como portador dessa sua paz para muitas pessoas que passam diariamente por sua vida.

Deus te dá seus conselhos em meio as aflições, mas cabe a você acolhe-los ou não. Quero convidar você a escolher pelo acolhimento do que Deus te oferece através de Jesus Cristo.

No Caminho,

Ricardo Costa

sábado, 14 de abril de 2012

E a Justiça de Deus?

Olá pessoal!

Quero tratar de um assunto que sempre vem a tona em aulas dadas por mim no Seminário e surge em muitos aconselhamentos e outros contextos, todas as vezes que trato sobre a graça de Deus. A pergunta que sempre é levantada é, mas Deus não é justo? E como fica a justiça de Deus?

Antes de entrar na questão da justiça propriamente dita quero destacar duas coisas:

1. Todas as vezes que realmente estivermos ensinando baseados na graça, sempre ficará um certo sentimento ou impressão, equivocada, de que se está dizendo que não importa o que façamos, não importa o nosso pecado, não importa se continuaremos pecando ou não. Isso não é novo, veja por exemplo essa questão levantada pelas Escrituras bíblicas em 1Coríntios 6.1-2: "Que diremos então? Continuaremos pecando, para que a graça aumente? De maneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele?". Então, o próprio apóstolo Paulo, quando ensinava sobre a graça tinha que lidar com esse equivoco aparente que é a idéia de que a graça nos libera para pecar. Ela não libera! A questão é que quando experimentamos verdadeiramente a graça de Deus, passaremos a desejar viver para a glória dele e isso nos levará a lutar contra o pecado.

2. A segunda questão é que muito do que as pessoas levantam, inclusive e talvez até mesmo principalmente os cristão atuais, como sendo justiça não têm nada a ver com a justiça de Deus. Há é claro consequências advindas naturalmente para aquilo que fazemos e que quebra as normas sociais estabelecidas, e quando isso acontece, é lógico que uma resposta legal terá que ser dada ao fato, mas isso não tem a ver com justiça de Deus, tem a ver com justiça humana, penal e legal, providenciada pela graça comum, pois somos seres sociais e somos regidos por leis sociais.

Dito isso, vamos tratar especificamente sobre a questão da justiça de Deus.

Geralmente a questão é levantada quando ouvindo sobre a graça, sobre o evangelho e sobre as exigências que Deus nos faz quanto a perdoarmos aqueles que nos ofende, e achamos "injusto" ter que perdoar alguém que no nosso entender não "merece" perdão, porque continua falhando conosco. Ai é levantado a questão, de como fica a justiça.

Bem, a justiça de Deus é Jesus Cristo! Sim, a justiça de Deus é promovida no evangelho! Veja o que o apóstolo Paulo diz em Romanos 1.17: "Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: O justo viverá pela fé".

Conforme esse texto e muitos outros precisamos entender que tudo em relação a Deus passa pelo evangelho, incluindo sua justiça. O que precisamos admitir é que "não há nenhum justo, nem um sequer"(Romanos 3.10); se formos lidar com as pessoas baseados em uma justiça fora do evangelho, então, todos nós estamos condenados.

Indo um pouco mais a frente em Romanos 3.21-24 lemos: "Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da Lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem. Não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus." Mais uma vez a Bíblia deixa claro que se evocamos a questão da justiça de Deus precisamos compreender que a mesma é exercida no evangelho.

Nenhum ser humano é justo. Nenhum ser humano pode se justificar diante de Deus a partir de seus atos. Podemos sim, olhar para outro ser humano e acusá-lo ou cobrar posturas deles que entendemos estar equivocadas, mas não podemos fazer isso alegando justiça, pois se o fizermos precisamos olhar para nossa própria vida e apresentá-la justa, mas não somos justos, somos justificados pela fé no que Deus fez por nós em Jesus Cristo.

"Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" (Romanos 5.1)

Logo, a graça de Deus não exime a justiça de Deus, porque a justiça de Deus foi executada em Jesus Cristo. É em Jesus Cristo que Deus exerce sua justiça e é a partir dele que a mesma será distribuída um dia sobre toda a humanidade.

Aqueles que se renderam a graça amorosa de Deus em Jesus Cristo, ainda que injustos, serão recebidos porque sua injustiça foi quitada pela justiça de Deus em Jesus Cristo, é por isso que o "justo viverá pela fé", fé no evangelho, fé nesta convicção de que em Jesus Cristo fomos justificados diante de Deus.
Aqueles que não se renderam a graça amorosa de Deus receberão justiça sobre sua injustiça porque sua injustiça não foi lançada sobre Jesus Cristo, então, continuam a mercê do juízo de Deus.

É baseado nisto que as Escrituras insistem conosco que não podemos julgar ninguém e não podemos exigir justiça de Deus contra ninguém fora de Jesus Cristo. A justiça de Deus é o evangelho! É baseado nisto que não temos argumentos para dizer que não podemos perdoar alguém que erra conosco, porque perdoamos, mas a pessoa continua errando.

Jesus, em Mateus 18.23-35, conta uma parábola para responder a uma questão que o apóstolo Pedro levanta sobre quantas vezes devemos perdoar um irmão que peca contra nós. Com essa parábola Jesus retira a questão da quantidade de vezes, e a coloca na intensidade do perdão.

Pedro pergunta se deve perdoar até sete vezes, Jesus diz que não até sete, mas 70 vezes 7 e em seguida conta a parábola para mostrar que ele não estava falando de quantidade de vezes, mas da intensidade e profundidade do perdão.

Isso fica claro quando observamos que na parábola o perdão é estendido pelo senhor a seu servo apenas uma vez, mas a intensidade do perdão é plena, pois a divida era impagável. Ai o servo não perdoa a divida de um de seus conservos e se vê em apuros com seu senhor, porque a intensidade do que fora lhe oferecido como perdão era inalcançável. Ora, o que Jesus está ensinando com essa parábola é que diante do fato de que fomos perdoados de uma divida impagável por Deus, não temos como não perdoar as pessoas seja lá quantas vezes forem.

Ai geralmente se levanta duas questões: a primeira é que, "e se a pessoa não se arrependeu". Bem, para essa questão a resposta é que isso só pode ser avaliado por nós se a pessoa disser que não se arrependeu, mas se ela disser que se arrependeu não podemos julgá-la, pois só Deus conhece o coração da pessoa.

A segunda questão levantada "é que a pessoa diz que se arrependeu, mas daqui a pouco torna a fazer a mesma coisa". A resposta para isso é novamente o evangelho, precisamos olhar para nós mesmos diante de Deus e ver quantas vezes pedimos perdão para Deus, e tornamos a pecar novamente. Mas a divida foi perdoada. Então, se pedimos perdão para Deus e ele nos perdoa, aquela divida não existe mais, se tornamos a pecar e vamos pedir perdão para ele é como se fosse a primeira vez.

E é exatamente assim que deve ser entre nós e nossos irmãos. Quando perdoamos alguém a divida não existe mais, e quando a pessoa erra, não foi novamente, pois a primeira divida já não existe, é como se fosse a primeira vez. Isso é evangelho!

E talvez digamos, "mas espere um momento eu não sou Deus!" É verdade, mas se nos rendemos ao evangelho a vida de Deus está sendo vivida em nós e, portanto, é isso que deve acontecer: "Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo." (Efésios 4.32)

Então, vamos voltar novamente a questão de que isso significa que não devemos nos importar com a pessoa continuar pecando contra nós? Não! Isso significa que a resposta que temos para a pessoa, se ela se afirmar cristã, é o evangelho. Que a mesma precisa se render ao evangelho e viver pela fé de que o Filho de Deus se entregou por ela e que agora ela não quer mais viver escrava do pecado, mas quer agradar ao Senhor, e, portanto, ela precisa mudar de postura quanto a continuar pecando. Mas isso não nos dá o direito de não querer perdoar, ou de achar que precisa haver justiça além do evangelho.

É aqui que entra a disciplina! Se um cristão continua a pecar descaradamente, sem se arrepender, ele precisa ser corrigido, em amor, para ser conduzido ao arrependimento e ser perdoado. Novamente, isso não nos dá o direito de achar que podemos exigir justiça além do evangelho.

Se a questão for com um não cristão a justiça de Deus continua sendo exercida no evangelho, e devemos perdoar, sendo que agindo assim, deixamos novamente com Deus a autoridade e o direito de exercer sua justiça, que pode se manifestar como sua vingança, caso o evangelho seja rejeitado. Veja o que Romanos 12.19-21 diz:

"Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: Minha é a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor. Ao contrário: Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem."

Concluindo, evocar a graça não é eximir a justiça de Deus, mas é exalta-la, "Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: O justo viverá pela fé."

Eu espero viver pela fé, pois fui justificado em Jesus Cristo, e espero que esse seja o desejo de cada um que se afirma cristão e seguidor de Jesus Cristo. Que nosso desejo seja pelo EVANGELHO!

No Caminho,

Ricardo Costa